2020, ANO ATÍPICO

Faustino Vicente *

           Diante da crise – moral, política, gerencial e econômica – que estamos vivenciando, nada mais oportuno que uma profunda reflexão sobre um alerta, que ecoa há 2.000 anos.
           Seu protagonista foi o célebre prosador, político e orador romano, Cícero (106-43 a. C.): “Vamos equilibrar o orçamento, proteger o tesouro, combater a usura e reduzir a burocracia. Caso contrário… afundaremos todos”.
           O Quarto Setor, sinônimo da economia subterrânea, sobrevive através do “jurássico” Caixa 2, das mais variadas atividades ilícitas, de criativos artifícios para fugir das garras do Leão do Imposto de Renda e de um sofisticado sistema de “mobilidade” internacional.
           Não há dúvida de que o corrente ano traz uma série de eventos que o transforma num ano atípico. Começa pelo fato de ser um ano bissexto proporcionando, aos que nasceram no dia 29 de fevereiro, comemorarem o aniversário na respectiva data.
           Outro fato marcante, será realização do “Everest do esporte mundial”...os Jogos da XXXII Olimpíada, que ocorrerão em Tóquio.
           O esporte representa, hoje, significativa parcela do PIB mundial.
           Teremos ainda, como atipicidade, a realização das eleições (capilares) municipais, cujas evidências podemos constatar nas ações da classe política e das redes sociais.
           Que, políticos ou não, cada cidadão brasileiro não venda a sua consciência por qualquer tipo de vantagem pessoal.
           Que o “jeitinho brasileiro”, a remuneração financeira e o status social não nos façam reféns, não nos tirem a sagrada liberdade de nos manifestar livremente e não nos transformem numa espécie de bonecos de ventríloquos.
           Se a droga gera dependência...estamos convencidos que toda dependência é uma “droga”.
           Na avaliação prévia dos candidatos, a conduta ética é condição essencial, ou seja, sem a qual o candidato não merece o nosso voto, mesmo sendo ele um gênio.
           Pelo histórico de vida de cada candidato é possível conhecer a sua linha de pensamento e o seu potencial como futuro gestor da Coisa Pública.
           O gigantismo do Custo Brasil, patrocinado pela elevadíssima carga tributária, é inversamente proporcional à baixa qualidade dos Serviços Públicos, salvo raras exceções.
           Com a sonegação de impostos, segundo o Sonegômetro, deixa-se de recolher centenas de bilhões de reais por ano aos cofres públicos do país, o que nos leva à Bíblia. Jesus Cristo foi enfático – “Dai a César o que é de César”. (Marcos 12,17)
           Encerramos com a assertiva de Ayn Rand (1905-1982), filósofa norte-americana de origem judaico russo, escritora, dramaturga e roteirista:
           “Quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está contaminada.”


* Faustino Vicente - Consultor de empresas e de órgãos públicos, professor e advogado – e-mail: faustino.vicente@uol.com.br - Jundiaí (Terra da Uva) SP

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